Castelo de Guimarães

Castelo de Guimarães Castelo da Fundação.JPG

Castelo de Guimarães, Portugal

Construção (ant. a 958)
Estilo
Conservação Bom
Homologação(IGESPAR) MN
Aberto ao público

O castelo de Guimarães é sem sombra de duvida o castelo símbolo da nacionalidade portuguesa, não poderia portanto deixar de falar de forma especial deste belo e altivo castelo construído com tanta arte, sabedoria e magnificiencia.

Integrado decerto na corrente de nobres atraídos ao ocidente peninsular pelas vicissitudes da Reconquista Cristã, um rico homem crivelmente de ascendência castelhana, Diogo Fernandes, veio nos fins do século IX estabelecer-se na região vimaranense, então em início dum promissor desenvolvimento. Com ele vieram a mulher e a prole, que provavelmente abrangia já, embora neste caso, todos de tenra idade, o filho e as três filhas que a constituíram.

Entre estas, contava-se uma, de nome Mummadona, que haveria de notabilizar-se, não só por no seu casamento com Hermenegildo Gonçalves se ter originado uma dinastia condal que governou, desde meados do século X até ao terceiro quartel do XI, a já chamada terra portucalense, núcleo do futuro Portugal, mas também pelo seu devotamento ao progresso e à defesa da incipiente Guimarães, então repartida em dois modestos núcleos populacionais, um no alto do Monte Largo – alpis latitus no latim dos documentos da época – e o formado no sopé dessa colina.

Tendo enviuvado não depois do ano 928, Mummadona viu-se senhora de vastíssimos bens, que em Julho de 950 partilhou com os seus filhos – cinco homens e uma mulher – para logo a seguir, animada de viva religiosidade, fundar na vila baixa um mosteiro, ao qual, nove anos depois, em Janeiro de 959, fez uma amplíssima doação de terras, gados, rendimento, ricos orna- mentos de culto e livros religiosos.

Porém, naqueles tempos, não decorria tranquila a vida quotidiana no noroeste peninsular, em que se engastava a progressiva Guimarães; além da ameaça permanente de possíveis investidas das hostes muçulmanas, ainda dominantes ao sul Coimbra, eram sobretudo inquietantes os repetidos assalto dos chamados normandos, misto de guerreiros e piratas, que provenientes dos mares do norte da Europa, abordavam em som de guerra as costas peninsulares ou subiam os cursos dos rios, e desembarcando espalhavam por toda a parte sangue e ruínas, saqueando, matando e cativando, após o que, com maior ou menor demora, reembarcavam, embora não o fizessem incólumes.

Dos anos subsequentes ao daquela doação, algumas dessas incursões são conhecidas, além certamente de vários outros assaltos cuja escassa monta se apagou na memória das gentes, não deixando rasto na história. Uma dessas irrupções, de muçulmanos ou normandos, sobreveio por aquelas vizinhanças, e o coração da piedosa dama foi tocado de profundo temor pela segurança do mosteiro a que era tão devotada. Então resolveu ela construir naquele Monte Largo, a cavaleiro das casas por que se repartiam as duas secções masculina e feminina da instituição monástica que fundara, um castelo, onde a comunidade se acolhesse em ocasião de perigo. É bem conhecido e várias vezes citado o trecho da carta de doação desse castelo aos religiosos, lavrada em Dezembro de 968, do qual consta a referida decisão.

Já nesse ano, e em anos seguintes por mais de uma vez, monges e monjas estariam de olhos postos no seu refugio castelejo, e prestes a correrem para ele. Primeiro, porque justamente desde os alvores desse 968 largamente se espalharam pelas terras da Galiza, levando-as a ferro e fogo, os oito mil normandos do viking Gunderedo, que só muito mais tarde vieram a ser vencidos e expulsos; depois, porque em várias ocasiões andou a guerra pelo norte de Portugal, movida ora por muçulmanos, ora por normandos. Nomeadamente em 997, quando Mohâmede Abu-Amir, o celebre Al-mansor, vindo de Cória, fez caminho pela Beira, veio ao Porto, e, como o seu fito era destruir Compostela, deve ter seguido, desde aquela cidade, pela estrada romana que a ligava a Braga, passando portanto a uns quinze quilómetros de Guimarães, em marcha bélica embora não agressiva; mais perigosamente em 1010 ou 1016, porque então uma horda normanda invadiu a região ao sul do Minho e chegou às vizinhanças Guimarães, pois assolou as terras da vizinha Vermoim, cujo castelo assaltou.

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